Viajando para países distantes ou Como uma pulga se sente no espelho?

Eles tentam não perceber isso e especialmente não verbalizá-lo, mas o turismo é uma das ocupações mais patológicas do homem moderno. Assim que você se torna turista, você obtém um passaporte idiota. Porque, indo a qualquer país, você vai lá para qualquer coisa, só para não conhecê-la.

Tomemos, por exemplo, o que está na superfície. Organização de empresas de turismo no Egito, Tunísia e na própria Turquia. Lá tudo é feito para o turista. Literalmente com suas próprias mãos. De outros países importou areia, vegetação, maquinaria, pessoal. Os produtos também são entregues lá. Direto do supermercado em sua casa. Uma pessoa neste caso nunca entra nesse país, a marca do qual é afixada no seu passaporte na alfândega. Ele verá um país que se assemelha ao seu, mas com uma ligeira diferença. Ele verá as mesmas coisas familiares, mas em um arranjo diferente. Para que o turista se sinta confortável, a impressão de que ele veio a si mesmo foi longa e difícil. Chegou em casa sem sair de casa.

Para o turista tudo é construído de forma que ele só viu o que ele estava acostumado há muito tempo. O que ele já sabe. Na Espanha há touros, na Grécia existem azeitonas, na Itália há ruínas. Em Moscou, ele definitivamente será mostrado aos ciganos com ursos, em São Petersburgo - senhoras com véus em carruagens, no Volga - mosteiros, na Bachkiria - mel, nos Urais - uma flor de pedra e Danilo-mestre. No Extremo Oriente, é claro, haverá caviar e pescaria. No Império Celestial, em geral, regiões inteiras do país são alocadas para turistas europeus: com templos budistas, sinos, dragões coloridos e dançarinas com fitas. Haverá apenas a própria China.

É por isso que a depressão é tão comum depois das férias? Você parecia estar descansando, mas já está sentado em casa com as mesmas malas, um saco de bugigangas desnecessárias e como se não saísse de lugar nenhum. E amanhã - para trabalhar.

Viajante mesmo, ao contrário de um turista, não vai voltar na chegada lá. Ele não exclui que ele não possa retornar de jeito nenhum. O viajante não viaja porque tem férias, o viajante é uma inspiração. Ao contrário de um turista que sai para ficar, um viajante pode ficar para partir. No viajante vive o espírito do descobridor. O viajante é sempre um romântico. Ele pode levá-lo e sair, imerso em um livro ou filme com a atmosfera característica de um diretor favorito.

E quando o viajante se encontra em novos lugares, ele simplesmente gosta de perder o navegador em sua cabeça. Afinal, quando você se encontra onde ainda não esteve, o mundo ao seu redor se torna um vasto universo. Você olha para a casa e não tem ideia do que poderia estar por trás dela. Quando você está em casa, você sabe disso. Atrás desta casa é a mesma, e esta rua vai virar onde se transformou em seu nascimento.

Em um novo lugar, o mundo ao seu redor é reduzido a você, a fim de se transformar em infinito depois. Este novo mundo expande tanto a sua percepção que você começa a perceber tais ninharias que você nem percebeu. Isso não é apenas uma curva rara de canos de esgoto, é também um bando de pássaros na vizinhança - e você começa a sentir que entende o que eles estão falando entre si.

Voltando, o viajante traz uma sensação de novidade à sua vida habitual. E essa novidade é como um resfriado, não pode ser curada com um único antibiótico da vida cotidiana. Ela terá que otbolet tanto quanto deveria ser. E quando esta doença passar, o viajante será uma pessoa completamente diferente. Ele verá sua cidade de uma maneira nova, notará nela o que ele já esqueceu por hábito.

Talvez, em muitos aspectos, ele veja um novo significado. E nas palavras de Vasily Makarovich Shukshin, ele vai entender a diferença entre um turista e um viajante:

"Quando estou muito tempo em um lugar, sinto uma pulga no espelho."

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